1 - Só há um pecado: o que fere a integridade; seja corpórea, mental ou moral. E só há duas formas de pecar: contra o próximo e contra si.
2 - É abominável a idéia religiosa que aliena da responsabilidade social e ética. Engrandecer a humanidade, ao contrário de ser usurpativo, concederia a Deus uns devotos menos degenerados.
3 - A democracia soa um contrasenso irônico, quando preconizada por um povo monoteísta; pois a retração do ato de “divinizar” panteísticamente reflete a tirania individualista do “único”, do ego.
4 - Só uma “entidade” supera a pessoa: a Humanidade. Desta característica “divina” evoluiu o Homem, que posteriormente puxou sobre si o fardo da religião institucionalista.
5 - A ação política legítima não deve servir a outro propósito senão ao desígnio ético de aprimorar a espécie. Já a religião, no mundo evoluído, voltará a ser aquela coisa menor que a fé inviolável; do tipo que até os ateus sentem pulsar no coração distraído.
6 - O mais cabível temor é não encontrar a infância na criança, nem a humanidade nos homens. E os santos verdadeiros foram aqueles que propuseram uma forma autoindutiva, independente da religiosidade, capaz de suplantar tais ameaças.
7 - O budismo é a des-religião, à medida em que a religiosidade ocidental seja admitida como a projeção comunitária da personalidade e que o orientalismo mantenha-se fiel à desconstrução do “ego”.
8 - Não há como negar um tipo imutável e impessoal de moralidade, que é geral, dedicada a preservar o quê de fração humana existe em cada remota pessoa. Então a religião é ‘derivada’, ‘relativa’, enquanto o humanismo é o sussurro doutrinário da própria consciência pura.
9 - Se vou durar o tempo curto da vida, não me limitarei às obras que se esvairão comigo: meu labor de criação aludirá ao eterno. Mas, se há um religiosidade que garante a licença do “ser-infinito”, do des-humano, a mediocridade está “liberada” aos usuários do perdão que presumem.
10 - Eu fui menino paupérrimo e furtei uns livros, para alimentar a alma: quem me condenaria por esse pecado sagrado!? Pensando bem, por via da lógica cristã-medieval, eu merecia a morte. Aí então não estaria aqui confessando a doçura dos meus pecados.
11 - O milagre que faz algumas idéias durarem tanto é exatamente o fato de terem sido defectivamente estruturadas, ao ponto de nunca se chegar a uma “prova de fogo” com elas. A religião não se pode contrapor à ciência apenas por motivos de habitarem “dimensões” tão díspares, mas pelo fato de que a religião não possui metodologia.
12 - Ando pasmo à espera da condensação, e esse turbilhão de sílabas nada! Não nascem palavras, Nem se perfilam em frases, no mecanismo mental do engaste. Por que dizer vapores, se as moléculas tomarão a forma do vaso receptor? Se eu fosse desleixado, já teria criado minha religião...
13 - Nada me impede de ser o materialista a trabalhar com objetos intangíveis. O materialismo nada mais se comfirma do que esta desprendida estratégia catártica de exceder a matéria, de chocar-se contra, para então encontrar-lhe, na ausência de sentido, um antídoto contra a presunçosa “realidade”.
14 - Minha voraz crítica ao transcendentalismo religioso funda-se em que ele induz a um realismo “irreal”, em tensão simultânea à força que insufla a des-cultura, em detrimento da cultura. A religião ainda não se libertou do vício imperialista-romano, que tende a “destruir” o espaço onde pretende dominar, como se os mais subjetivos sentimentos humanos se acotovelassem por uma vaga na exígua controversão da mente... Ora, há controvérsias que podem compartilhar a mesma cama: me enoja o imaterialismo materialista! Porque almejar o céu é cínico, enquanto não se possui a si mesmo.
15 - Se eu disser que minha luta é pacífica, e disser que não existe revolta dentro de mim, estarei mentindo. Mas, a grandiosa verdade é que essa latente indignação move meu sonho de paz.
16 - Reverencio os idosos, cujas verdades perdôo; e amo as crianças, que verdades não têm. Já os jovens são esses magistrados afoitos, sagrando os próprios dedos com a martelada do veredito.
17 - Diz-se que “pensamento sincero” é aquilo o que se diz “sem pensar”. Então, a resposta elaborada seria enganosa?! Acredito que a fidedignidade da opinião se condiciona ao compromisso entre si e suas palavras. Rodeios a mais são caprichos formulativos do estilo.
4.2.2010
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